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Literatura: leitores e leitura

Disciplina: Metodologia e Pesquisa em Direito
Professora: Doutora Márcia Cristina de Souza Alvim
Mestrando: Glauco Bernardo
Resenha: LAJOLO, Marisa, Literatura: Leitores & Leitura. São Paulo, Editora Moderna, 2006.

Fichamento da obra

Notas sobre o autor:

Marisa Lajolo Mestre e doutora pela Universidade de São Paulo, concluiu seu pós-doutorado na Brown University, nos Estados Unidos. Atualmente, é professora titular de Teoria Literária no Instituto de Estudos Literários da Unicamp e coordenadora do projeto Memória da Leitura. É autora, dentre outros títulos, de Monteiro Lobato, um Brasileiro sob Medida, Literatura, Leitores e Leitura (ed. Moderna), Do Mundo da Leitura para a Leitura do Mundo e Destino em Aberto (Ed. Ática).

A OBRA

A
Autora busca com sua obra questionar a quantas andam a literatura, afirmando num primeiro momento que ela vai muito bem, obrigado! Mas que mudou de forma, de endereço e até de família. Discutir Literatura não é como discutir sobre aranhas, pois as aranhas serão sempre aranhas! A um tempo que falar sobre literatura e pensar o que vem a ser essencialmente literatura cabe ao julgamento e crivo de cada um. Portanto, o que é? E mais, qual sua forma, se é que literatura tem forma... Então, "para uma coisa ser considerada literatura tem de ser escrita? Tem de ser editada? Tem de ser impressa em livro e vendida ao público?... Será que tudo o que foi publicado em livro é literatura?"

Não se pode dizer que literatura é o que cada um considera como literatura?

Será então que tudo o que foi publicado em livro é literatura? Mesmo os romances pornô que nenhum professor manda ler, de que critico nenhum fala, que os jornais e revistas solenemente ignoram?

A resposta é simples: Tudo isso é, não é e pode ser que seja literatura. Dependo do ponto de vista, do significado que a palavra tem para cada um, da situação na qual se discute o que é literatura.

"O que dizer de Homero, (Séc. IX a.C.), Dante Alighieri (1265-1321), Eça de Queirós (1845-1900) e Guimarães Rosa (1908-1967) escreveram mesmo coisas excelentes. Excelentes e distintas do que escreveram hoje os Titãs, Paulo Coelho, Rodolfo Cavalcante e J. Grisham.

Mas diferente não quer dizer pior.
Só quer dizer diferente. (p. 10).

Para que uma obra seja considerada parte integrante da tradição literária da uma dada comunidade ou tradição cultural, é necessário que ela tenha o endosso dos canais competentes aos quais compete a literarização de certos textos, isto é, a proclamação de um texto como literatura ou não-literatura.

São poucos, ou muitos, mais sempre os mesmos que, como ensina a música de Caetano Veloso, NARCISO ACHA FEIO O QUE NÃO É ESPELHO. Exemplo, a ABL.

Desmistificação dos Clássicos:

Classicismo - para indicar também um juízo de valor. Tem como significado algo excelente, de boa qualidade.

Clássico - derivado do latim Classis - classe de escola. No tempo em que só mandavam os alunos lerem escritores latinos e gregos, pois leituras recomendadas às classes, às escolas.

Escola = imbecilidade de muitos para a vaidade dum só (Mário de Andrade).

Portanto, para entrar nessa discussão é preciso ter ingresso, que nem sempre estão por aí, nem são oferta grátis (falamos de livros, cursos, escolas). Custa também o acesso e de preferência aderir a formulações culturais de classes dominantes.

Na criação, a ruptura é o momento de vanguarda e, no campo teórico, é o momento do novo paradigma.

Portanto, a autora traz o significado de literatura segundo os dicionários Aurélio e Houaiss.

Conceitua a autora, por outro lado, sem socorrer-se do Aurélio. Literatura vem de litteratura - expressão latina, que por sua vez vem de littera, que quer dizer letra, sinal gráfico que representa por escrito um som da fala.

Num momento anterior literatura significa o domínio de línguas clássicas. Houve por conseguinte um afastamento da exigência de formas fixas, mas esse rompimento nem foi total nem definitivo.

Exemplo da situação - cancioneiros.

Então, muita gente - aqueles resmungos de sempre - torce o nariz, ao ouvir dizer que emepebê é poesia. Que torçam o nariz que é deles, e cada um faz o que quer com seu próprio nariz... Também a telenovela, irmã caçula da radionovela, faz parte dos excluídos da literatura oficial, bem como a literatura infantil, a fotonovela, a historia em quadrinhos... A literatura, aquela que os resmungões gostam de escrever com letra maiúscula - desconfia de tudo o que não é escrito.

A palavra traz dimensões de realidade. Exemplo Shazam

Literatura portanto, como uma situação especial do uso da linguagem que, por meio de diferentes recursos, sugere o arbitrário da significação, a fragilidade da aliança entre o ser e o nome e, no limite, a irredutibilidade e a permeabilidade de cada ser.

Toda e qualquer palavra, toda e qualquer construção lingüística pode figurar no texto e literarizá-lo.

Assim, não é o uso de um ou de outro tipo de linguagem que vai configurar a literatura. A relação que as palavras estabelecem com o contexto, com a situação de leitura, é que caracteriza, em cada situação, um texto como literário ou não-literário.

Ou a situação do uso.

A literatura é a porta para variados mundos que nascem das várias leituras que dela se fazem. Os mundos que ela cria não se desfazem na última página do livro, na última frase da canção, na ultima fala da representação nem na última tela do hipertexto. Permanecem no leitor, incorporados como vivência, marcos da história de leitura de cada um.

É sempre equivocado pedir para a literatura recibo do que ela afirma: Exemplo, Gonçalves Dias:

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar -sozinho, à noite-
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
De Primeiros cantos (1847)

O mundo representado na literatura, por mais simbólico que seja, nasce da experiência que o escritor tem de sua realidade histórico e cultural.

Então, o aqui e agora do escritor não necessariamente será o aqui e agora do leitor.

Para o grego a história narrava o que realmente tinha acontecido, ficava por conta da literatura o que podia acontecer.

A criação literária nasce de uma imaginação ancorada na realidade.

Qualquer seleção é sempre arbitrária e pessoal.

Na seqüência a autora estuda os momentos históricos da literatura:

Os gregos deixaram uma herança histórica que influenciou grandes poetas. Ex. Fernando Pessoa (heterônimo Ricardo Reis).

Literatura era integrada à vida grega.

Platão - pensador rigoroso, queria expulsar a literatura do convívio social: a poesia era mentirosa - era a imitação, da imitação da imitação...

Idade Medieval - Tradição oral. Exemplo: Novelas de cavalaria.

Assim, parte dos gregos, revive a Idade Média em uma novela de cavalaria, atravessa "Barroco", "Arcadismo", "Romantismo" e "Realismo" com exemplos canônicos e outros nem tanto. A maior diferença entre a obra original e a re-escrita está no tom em que se trata da atualidade. Em 1982, há ceticismo em afirmações como a de que "não somos um país de leitores" ou de que "a literatura corre o risco de tornar-se (...) descartável".

Exemplo atual - Megashows. (Racionais MC's e Mano Brown)

O escritor não precisava preocupar-se em agradar ao público indiferenciado: financiado por alguém rico e geralmente muito poderoso, bastava que ele angariasse as simpatias de seu patrono, o mecenas, que, garantindo-lhe abrigo, comida, vestimenta e proteção, financiava-lhe a aventura literária.

Romantismo - para fazer a máquina funcionar, o operário precisava ler. Abriram-se escolas. A alfabetização espalhou-se, a difusão da leitura muito o mercado disponível para livros.

Comparadas com as práticas e concepções clássicas, as práticas literárias românticas democratizaram-se muito. Produções escritas às quais a literatura clássica torcia o nariz ganharam cidadania.

O maior exemplo de todos é o romance.

A literatura romântica foi uma festa.

Prática literária engessada. Liberdade como valor maior.

O CONCEITO DE LITERATURA COMO TRANSBORDAMENTO DE UMA ALMA PARA OUTRA PARECE DURAR AINDA HOJE.

Os vários modos de ser da literatura não se limitam a existir apenas no momento em que nascem, nem se segmentam com a nitidez que lhes conferem cursos e livros de literatura.

Ex.: Geraldo Vandré, Pra não dizer que não falei das flores.

Estilos literários são linguagens vivas e mutantes.

Romantismo - fazer o leitor participar do texto.

Na seqüência o realismo

O que chama literatura realista propõe, então, como reação ao Romantismo é um novo conceito de realidade. Só é real o que é representado pela linguagem da ciência, o que foi testado em laboratório.

Na seqüência de personagens emoção-e-sentimento, seguem-se personagens-instintos, personagens classes-sociais.

Parnasianismo e simbolismo - pós e anti-romantismo. Soneto - estrutura poética fixa de quatorze versos.

Naturalismo.Atmosfera sensorial e histórica.

Século XX - Escritor como profissão. CBO atualizada desde então:
2615 :: Profissionais da escrita

2615-05 - Autor-roteirista - Adaptador de obras para teatro, cinema e televisão , Argumentista-roteirista de história em quadrinhos , Autor-roteirista de cinema , Autor-roteirista de rádio , Autor-roteirista de teatro , Autor-roteirista de televisão , Autor-roteirista multimídia , Dramaturgista
2615-10 - Crítico - Crítico de artes plásticas , Crítico de cinema , Crítico de dança , Crítico de jornal (ombudsman) , Crítico de música , Crítico de rádio , Crítico de teatro , Crítico de televisão , Crítico literário
2615-15 - Escritor de ficção - Autor de ficção , Contista , Cronista de ficção , Dramaturgo , Ensaísta de ficção , Escritor de cordel , Escritor de folhetim , Escritor de histórias em quadrinhos , Escritor de novela de rádio , Escritor de novela de televisão , Escritor de obras educativas de ficção , Fabulista , Folclorista de ficção , Letrista (música) , Libretista , Memorialista de ficção , Novelista (escritor) , Prosador , Romancista
2615-20 - Escritor de não ficção - Biógrafo , Cronista de não ficção , Enciclopedista , Ensaísta de não ficção , Escritor de obra didática , Escritor de obras científicas , Escritor de obras educativas de não ficção , Escritor de obras técnicas , Folclorista de não ficção , Memorialista de não-ficção
2615-25 - Poeta - Letrista , Trovador
2615-30 - Redator de textos técnicos - Glossarista , Redator de anais , Redator de jornal , Redator de manuais técnicos , Redator de textos científicos , Redator de textos comerciais

Descrição sumária

Escrevem textos literários para publicação, representação e outras formas de veiculação e para tanto criam projetos líterários, pesquisando temas, elaborando esquemas preliminares. Podem buscar publicação ou encenação da obra literária bem como sua divulgação.

Famílias afins

2614 - FILÓLOGOS, INTÉRPRETES E TRADUTORES

2616 - EDITORES

In http://www.mtecbo.gov.br/busca/descricao.asp?codigo=2615-15 Acesso em 09 de novembro de 2007.

O século XX continua cheio de pres, de pós e de ismos... Como sabe quem freqüenta cursos e livros sobre literatura, o século XX começa com o pré-modernismo e termina, só Deus sabe como, com o pós-modernismo que também inicia no século XXI.

Literatura de mulheres, negros e homossexuais sempre existiu. Hoje em dia: "Tem de tudo, sim senhor! E tudo é literatura!"

Resmungões - identificar a literatura exclusivamente com livros.

Fernando Pessoa - livros "papeis pintados com tinta"

A abundante produção contemporânea está distante dos prognósticos mais pessimistas. Globalização, tecnologia, técnicas de reprodução, novos suportes, novas mídias, tudo favorece a multiplicação do texto.

Os conceitos de metalinguagem e intertextualidade são revisados e aproximados da noção de hipertexto, aos freqüentadores do universo virtual.